Estudos de áreas naturais fragmentadas

A figura ao lado mostra um fragmento de cerradão (área central da foto) cercado por cultura canavieira, no município de Luiz Antônio, como resultado da expansão agro-pastoril na paisagem do Estado de São Paulo. Neste contexto, áreas de florestas naturais no Estado encontram-se cada vez mais reduzidas a fragmentos florestais. A substituição da vegetação nativa por áreas de pasto, monoculturas e culturas de subsistência implica na perda contínua e irreversível da biodiversidade, seja diretamente pela extinção de espécies, ou pela perda da variabilidade genética das espécies ameaçadas de extinção. Com o apoio da World Wild-Life Found (WWF) o LAPA vem desenvolvendo pesquisas relacionadas ao manejo e conservação de fragmentos de Cerrado do entorno da Estação Ecológica de Jataí (unidade administrada pelo Instituto Florestal/SP), localizada no município de Luiz Antônio - SP, com vistas ao fornecimento de bases confiáveis para a conservação "in situ" da biodiversidade da região, incluindo a análise estrutural e funcional da flora e fauna dos fragmentos de interesse. A metodologia utilizada determina o emprego de técnicas aerofotogramétricas e de Sistemas de Informações Geográficas (SIG).

Veja alguns resultados:


ESPÉCIES ARBÓREAS

No total foram identificadas 53 espécies, pertencentes a 38 gêneros e 27 famílias.

Espécies inventariadas na Área de Estudo, Fazenda Umuarama, Luiz Antônio, SP.
 
Família Nome Científico Nome popular
Anarcadiaceae Tapirira guianensis Aubl. Peito-de-pombo
Annonaceae Annona coriacea Mart. Araticum
Annona crassiflora Mart.
Annona glabra L.
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. Pindaíva
Apocynaceae Hancornia speciosa (Gomez) Mangaba
Araliaceae Didymopanax vinosum Mart. Mandioquinha-do-Cerrado
Bignoniaceae Jacaranda caroba DC. Carobão
Bombacaceae Eriotheca gracilipes (k.Schum.) A. Robyns Paineira-do-campo
Caesalpiniaceae Bauhinia rufa Steud. Pata-de-vaca
Bauhinia sp. Pata-de-vaca
Copaifera langsdorffii Desf. Copaíba
Diptychandra aurantiaca Tul. Balseminho
Hymenaea courbaril L. Jataí
Cariocaraceae Caryocar brasiliensis Camb. Pequi
Clusiaceae Kyelmeyera coriaceae Mart.
Combretaceae Terminalia brasiliensis Eichl. Capitão-do-campo
Euphorbiaceae Mabea cf fistulifera Mart.
Sp 1
Sp 2
Fabaceae Bowdichia virgilioides H. B. K.
Dalbergia miscolobium Benth. Caviúna-do-Cerrado
Machaerium acutifolium Vog. Jacarandá
Machaerium lanceolatum (Vell.) Macbride Jacarandá
Pterodon emarginatus Vog. Faveiro
Pterodon pubescens Benth. Faveiro
Vatairea macrocarpa (Benth.) Duck. Gema-de-ovo
Flaucortiaceae Casearia arborea Urb. Pau-espeto
Lauraceae Ocotea corymbosa Mez Canelinha
Melastomataceae Miconia albicans (Sw.) Triana.
Miconia rubiginosa DC.
Mimosaceae Anadenanthera falcata Speg. Angico
Dimorphandra mollis Benth. Barbatimão-de-folha-miúda
Plathymenia reticulata Benth. Candeia
Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville Barbatimão
Monimiaceae Siparuna guianensis Aubl. Nega-mina
Moraceae Ficus sp.
Myristicaceae Virola sebifera Aubl. Ucuúba-do-Cerrado
Myrtaceae Myrcia rufipes DC. Brasa-viva
Myrcia bella Camb.
Nyctaginaceae Guapira graciliflora (Mart. ex J.A.Smidt) Lundell
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Ochnaceae Ouratea castaneifolia Engl. Farinha-seca
Ouratea spectabilis
Opiliaceae Agonandra sp
Proteaceae Roupala montana Aubl.
Rubiaceae Alibertia macrophylla K. Schum.
Alibertia sp
Sapotaceae Pouteria torta (Mart.) Radlk. Abiu-piloso
Vochysiaceae Qualea grandiflora Mart Pau-terra
Qualea multiflora Mart. Pau-terra
Qualea parviflora Mart. Pau-terra

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LIANAS (TREPADEIRAS)

Os cipós são parte importante do ecossistema, sendo comum não apresentarem caducifolia, produzindo flores e frutos na época seca ou em épocas diferentes das espécies arbóreas, tornando-se fonte importante de alimentos para a fauna em geral.

Espécies de lianas inventariadas na Área de Estudo
 
Família Nome Científico
Apocynaceae Forsteronia sp
  Prestonia coalita (Vell.) Woodson
Asteraceae Mikania cordifolia (L. f.) Willd
Bignoniaceae Arrabidea cratenophora Bureau
  Arrabidea florida D.C.
  Arrabidea pulchra (Cham.) Sandwith
  Pyrostegia venusta Miers
Dioscoriaceae Dioscorea sp
Loganiaceae Strychinos bicolor Progel
Malpighiaceae Banisteriopsis anisandra (A. Juss) Wonders & B. Gates
  Banisteriopsis adenopoda
  Banisteriopsis oxyclata ( A. Juss.) B. Gates
  Banisteriopsis pubipetala (Griseb.) Cuatrec
  Banisteriopsis sp
  Banisteriopsis stellaris (Grises) B. Gates
  Heteropteris byrsonimiifolia A. Juss
  Heteropteris sp
Moraceae Ficus sp
Sapindaceae Serjania sp
Indeterminada 1  
Indeterminada 2  

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HISTÓRICO DE PERTURBAÇÕES

Segundo informações obtidas de moradores antigos, no ano de 1969, iniciou-se a retirada das primeiras árvores junto à Área de Estudo, para utilização de lenha e madeira para construção civil. As principais espécies retiradas foram: Hymenaea courbaril (jatobá), Copaifera langsdorffii (copaíba), Pterodon sp (faveiro), Plathymenia reticulata (candeia), Diptychandra aurantiaca (olinho), angico, mamica-de-cadela e guatambu.

Em 1971, fez-se uma segundo corte seletivo da vegetação no entorno da Área de Estudo, aproveitando algumas espécies ali existentes para confecção de dormentes, tábuas para curral, madeiramento para casas, etc., antes do manejo utilizado para retirada total da vegetação. A técnica utilizada para o desmatamento da área de entorno, consistiu no uso do fogo, que provocou a mortalidade de animais que não conseguiram escapar (porco do mato) com a posterior utilização da técnica do correntão (dois tratores ligados por uma forte corrente) com o objetivo de retirar toda cobertura vegetal natural existente nestas áreas (entorno). Desde esta época a Área de Estudo possui a mesma forma. Este remanescente encontra-se "isolado" das áreas naturais adjacentes há 28 anos. Após a retirada da mata nativa, em 1972 deu-se inicio a implantação de cultura de laranja na vizinhança da Área de Estudo. Com a implantação desta cultura foram feitas algumas modificações no local, que permanecem como testemunho até os dias atuais. Uma delas foi a construção em meados de 1978 de uma caixa d’água junto a face Sul da AE, ligada por um cano que atravessava o fragmento no sentido Sul – Norte, por uma estrada contida no local, indo até a uma antiga represa localizada próxima a sede da fazenda. A represa abastecia a caixa d’água que era utilizada para encher os caminhões que realizavam a pulverização da cultura.

No início dos anos 90, a cultura de laranja foi substituída por uma área de pastagem pelo atual proprietário, sendo utilizada como pasto até meados de 1994, quando foi implantada a cultura de cana-de-açúcar.

A partir dessa época, as cabeças de gado que ainda existem na fazenda usam como área de descanso e alimentação o interior do fragmento, onde existem piquetes feitos para o uso do gado em diferentes épocas dentro da área. Segundo informações de trabalhadores da fazenda, houve épocas em que foram colocadas quase mil cabeças de gado no interior do fragmento. Atualmente existem apenas 13 cabeças de gado que utilizam a área. O constante uso do gado no interior do fragmento resultou na formação de algumas trilhas bastante compactadas, onde não há nenhuma vegetação em desenvolvimento.

Mais recentemente (fevereiro de 1999), foram colocadas aproximadamente 35 caixas de abelha (Apis melifera) nos primeiros metros a partir da borda Leste. Verificou-se que foi realizada uma limpeza do sub-bosque, retirando espécies arbustivas, herbáceas e plântulas de espécies arbóreas neste local. Este apiário percorre quase toda borda Leste no sentido Norte – Sul. Os pontos onde há uma maior concentração das caixas de abelha, são os locais onde houve maior perda da biodiversidade. Com o uso deste local pelos funcionários, provavelmente não será permitido que o sub-bosque se desenvolva, comprometendo ainda mais a conservação desta área.

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O SIG-MAPInfo COMO FERRAMENTA AUXILIAR

O Sistema de Informações Geográficas SIG-MAPInfo versão 4.5, mostrou-se muito eficiente para as análises necessárias para melhor compreensão da heterogeneidade da Área de Estudo. Como resultado, obteve-se um banco de dados georeferenciado da distribuição das espécies vegetais da Área, possibilitando a visualização de pontos referentes a tais espécies. No total foram coletadas 1786 coordenadas que permitiram gerar 53 tabelas de informações compreendendo todas as espécies identificadas e seus indivíduos, além das árvores mortas amostradas no local. Cada tabela contém informações sobre dados taxonômicos (família, espécie, autor) fitossociológicos (densidade proporcional, freqüência absoluta, freqüência relativa, densidade relativa, área basal, dominância relativa, densidade absoluta, valor de importância e valor de cobertura) e dados coletados em campo (altura, DAP, presença ou ausência de lianas). Mais dados e informações podem ser agregados a partir da atualização dessas planilhas com novas informações adquiridas para as espécies.

A partir do uso do SIG foi possível ainda realizar análises visuais para averiguar a distribuição das árvores da borda para o interior, possibilitando verificar espécies que sofrem efeito de borda no local.

Outra vantagem apresentada por este banco de dados, foi a possibilidade de selecionar intervalos referentes as classes de altura e classes de diâmetro a altura do peito (DAP), obtendo-se como resultado a visualização geográfica da distribuição de uma população ou comunidade de uma determinada altura ou DAP nos transectos. Além da visualização, também foi possível apresentar uma listagem das árvores selecionadas, contendo informações descritas nas planilhas do banco de dados, como por exemplo as lianas amostradas em cada indivíduo arbóreo identificado.

Além de análises da vegetação, foi possível obter resultados referentes a análises espaciais do fragmento, como área, perímetro, comprimento lateral da borda e distância de outros remanescentes de vegetação natural. Dados relacionados a cotas altimétricas, também foram armazenados em bancos de dados elaborados a partir do SIG - MAPInfo.

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ISOLAMENTO

A Área de Estudo possui dois tipos de vizinhança muito distintos em relação ao uso da solo. Na face Leste, encontra-se uma área pertencente a Estação Experimental de Luiz Antônio onde foi plantado em 1976 uma cultura de eucalipto, sendo retirada em 1996. Atualmente observa-se nesta área o desenvolvimento de gramíneas invasoras, como a brachiaria, algumas árvores isoladas de eucalipto e algumas espécies de Cerrado em desenvolvimento. Nas faces Norte, Sul e Oeste, há uma plantação de cana-de-açúcar, de aproximadamente 125 ha. Esta plantação estende-se, no sentido Norte, até as áreas construídas da fazenda (casas, barracões, currais, etc.), e nos sentidos Oeste e Sul, até os limites da fazenda, estando separada da Área de Estudo por aceiros de 8 metros em média.

O manejo da cultura de cana-de-açúcar é feito nos modos convencionais, utilizando grandes cargas de pesticidas para controles de pragas e fogo antes do corte da cana. Este tipo de manejo compromete a biodiversidade local, podendo contribuir para o isolamento da área, além do provável impacto sobre a fauna que utiliza a área de cultura, quando esta encontra-se em fases mais desenvolvidas de crescimento.

A porosidade da matriz, conforme metodologia de FORMAN & GODRON (1986), é caracterizada como nível 11. Este valor apenas representa o número de manchas existentes na unidade de área considerada para estudo, neste caso a microbacia do Cafundó. Nesta microbacia há diferentes tipos de uso da terra, sendo que a matriz principal é a monocultura de cana-de-açúcar.

Como unidade de área para avaliar o grau de isolamento, foi determinada a microbacia do Cafundó, onde está situada a Área de Estudo. A partir do cálculo do grau de isolamento (FORMAN & GODRON, 1986), obteve-se um valor médio de 5,85 Km de distância para as outras áreas naturais contidas nesta microbacia. Os dados da tabela 7 apresentam os valores de grau de isolamento para outros remanescentes que estão totalmente contidos nesta unidade da paisagem.

Apesar de apresentar um grau de isolamento mais elevado em relação aos outros remanescentes contidos na microbacia, a sua posição geográfica provavelmente favorece o fragmento em relação ao fluxo de fauna, já que sua localização é muito próxima às duas áreas de vegetação nativa de maior porte dentro do município: a Estação Ecológica de Jataí somado ao Capão Escuro com 5.000 ha e outro remanescente, conhecido como 800 alqueires pela população local, com uma área de 1.627,20 ha (Figura 1). A Área de Estudo está a uma distância mínima de 600 m e 1.400,00 m, respectivamente, das duas áreas citadas acima. Devido a esta proximidade, uma parte da fauna existente na AE, provavelmente deve ser oriunda desses dois locais, utilizando o fragmento como área de passagem para repouso, busca de recursos ou área de reprodução.

Provavelmente, elementos de pequeno porte, como roedores e marsupiais devam utilizar o local como área de vida, porém os elementos de grande porte devem utilizar o fragmento somente como um trampolim para as outras duas áreas maiores.

O levantamento das espécies de mamíferos da AE apresenta 38% das 50 espécies encontradas por TALAMONI (1996) na área da Estação Ecológica de Jataí e Estação Experimental de Luiz Antônio, sem considerar as espécies de Chiropteros. Tendo por base este resultado seria possível supor que provavelmente a Área de Estudo está isolada para 32 espécies de mamíferos observadas na Estação Ecológica de Jataí e Estação Experimental.

Figura 1 -Isolamento da área de estudo (centro do círculo).
As áreas de cor verde representam fragmentos de áreas naturais.

MAMÍFEROS

Lista dos mamíferos observados na Área de Estudo, e observados por TALAMONI (1996) na Estação Ecológica de Jataí e Estação Experimental de Luiz Antônio
 
Fauna de mamíferos encontrada na Estação Ecológica
Fauna de mamíferos da AE
Nome Popular
MARSUPIALIA    
Marmosidae    
Gracilinanus microtarsus
X
Cuíca
Micoureus cinereus   Cuíca
Caluromyidae    
Caluromys lanatus   Cuíca-lanosa
Didelphidae    
Didelphis albiventris
X
Gambá
Chironectes minimus   Cuíca-d’água
Lutreolina crassicaudata   Cuíca
XENARTRA    
Myrmecophagidae    
Myrmecophaga tridactyla   Tamanduá-bandeira
Tamandua tetradactyla
X
Tamanduá-mirim
Dasypodidae    
Cabassous unicinctus   Tatu-de-rabo-mole
Dasypus nevemcinctus   Tatu-galinha
Dasypus septemcinctus   Tatuíra
Euphractus sexcinctus
X
Tatu-peludo
PRIMATES    
Callithrichidae    
Calllithris penicillata   Sagui-estrela
Cebidae    
Alouarra caraya   Bugio
Calllicebus personatus   Sauá
Cebus apella   Macaco-prego
CARNIVORA    
Canidae    
Chrysocion brachyurus
X
Lobo-guara
Cerdocyon thous
X
Cachorro-do-mato
Procyonidae    
Nasua nasua
X
Coati
Procyon cancrivorous
X
Mão-pelada
Mustelidae    
Conepatus semistriatus   Cangambá
Eira barbara
X
Irara
Galictis cuja   Furão
Lutra longicaudis   Lontra
Felidae    
Felis concolor   Onça-parda
Felis pardalis   Jaguatirica
Felis yagouroundi
X
Gato-mourisco
PERISSODACTYLA    
Tapiridae    
Tapirus terrestris   Anta
ARTIODACTYLA    
Tayassuidae    
Tayassu pecari
Tayassu sp.
Queixada (?)
Tayassu tajacu   Cateto (?)
Cervidae    
Mazama americana
X
Veado-mateiro
Mazama gouzobira
X
Veado-catingueiro
RODENTIA    
Sciuridae
Sciurus aestuans   Serelepe
Muridae    
Nectomys squamipes   Rato-d’água
Oecomys concolor   Rato-do-mato
Oligoryzomys nigripes   Rato-do-mato
Pseudoryzomys simplex   Rato-do-mato
Oryzomys capito   Rato-do-mato
Oryzomys subflavus   Rato-do-mato
Akdon montensis   Rato-do-mato
Oxymycterus roberti   Rato-do-mato
Holochilus brasiliensis   Rato-do-brejo
Bolomys lasiurus   Rato-do-mato
Calomys tener
X
Rato-do-campo
 
Ratus ratus *
 
Erethizontidae    
Condeu prehensilis   Ouriço-cacheiro
Caviidae    
Cavia aperea   Preá
Hydrochaeridae    
Hydrochaeris hydrochaeris
X
Capivara
Agoutidae    
Agouti paca
X
Paca
Dasyproctidae    

Dasyprocta azarae
X
Cutia
LAGOMORPHA    
Leporidae    
Sylvilagus brasiliensis
X
Tapetí
*animal não encontrado não encontrado por TALAMONI (1996).

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ÁREA, FORMA E EFEITO DE BORDA

A partir de uma análise detalhada dos dados de tamanhos dos remanescentes de vegetação, apresentados por PIRES (1995), para o município de Luiz Antônio, foi possível verificar que dentre os 118 fragmentos analisados por este autor, somente 1,69% possuem uma área entre 25 e 30 ha, 61,86% dos fragmentos existentes na região são menores que 25 ha e 29,66% do total dos fragmentos estão entre 1 e 5 ha. Neste sentido, entende-se que a Área de Estudo, com 28,17 ha, encontra-se em uma melhor posição que a grande maioria dos fragmentos de área natural do município em relação a conservação. Entretanto, isto não indica que o fragmento em questão esteja em uma posição confortável.

Outro fator que corrobora para esta situação é sua forma regular, apresentando um índice de forma (LAURENCE, 1991) de 1,43. Este índice determina se a área está mais próxima a forma circular ou alongada. Quanto mais próximo ao valor 1, mais circular será a área, ou seja, uma circunferência possui borda mínima de contato entre a sua área e o exterior, resultando em uma menor influência do meio externo (FORMAM &GODRON, 1986; LAURENCE, 1991; PIRES, 1995). Conforme visto na aerofoto vertical a forma do fragmento é próxima a um quadrado, podendo ser considerado como uma ilha, estando segundo PIRES (1995), menos ameaçado que a grande maioria dos fragmentos do município, porém, com a necessidade da implantação de práticas de manejo de forma a diminuir o efeito de borda e resguardar sua possível função dentro da área onde se encontra. PIRES (op. cit.) encontrou um Índice de Borda de 1,25 para o fragmento em questão. Este diferente valor apresentado, é devido a problemas relacionados a escala, pois as análises realizadas por este autor foram baseadas em uma imagem satélite LANDSAT TM 5, bandas 3, 4 e 5 em escala de 1:50.000e para este trabalho foi utilizada uma aerofoto vertical em escala 1:4.000, possibilitando uma maior precisão para os cálculos deste índice.

Apenas 15 fragmentos do município apresentam forma de "ilha", com um índice de forma menor que 2. Estes foram considerados fragmentos de média vulnerabilidade ecológica relativa, quando comparados com os outros fragmentos do município de Luiz Antônio (PIRES, 1995).

A forma do fragmento está diretamente relacionada com o grau do efeito de borda que está agindo sobre o mesmo e a maior ou menor influência dos fatores externos sobre sua diversidade. Essas influências externas como as variações na temperatura, umidade relativa, penetração de luz e exposição aos ventos, podem determinar fatores biológicos como a mortalidade de árvores e a variação na composição de espécies das áreas de borda para o interior da floresta (LOVEJOY et al. In SOULÉ, 1986). CARSON (1958 In ODUM 1983) relatou que indivíduos de populações marginais podem apresentar arranjos gênicos diferentes daqueles de populações centrais. Os organismos não são totalmente dependentes do ambiente físico; eles se adaptam e modificam este último para reduzir os efeitos limitantes da temperatura, da iluminação, da água e de outras condições físicas de existência (ODUM, 1983).

Das 52 espécies arbóreas observadas na Área de Estudo 12 estão localizadas exclusivamente na borda do fragmento (Agonandra sp, Alibertia sp, Bauhinia rufa, Bauhinia sp, Dalbergia miscolobium, Guapira opposita, Jacaranda caroba, Miconia albicans, Ouratea castanaefolia, Siparuna guianensis, (Euphorbiaceae) sp2 e Terminalia brasiliensis).

No interior também foram observadas 12 espécies exclusivas (Annona crassiflora, Didymopanax vinosum, Ficus sp, Guapira graciliflora, Hancornia speciosa, Kielmeyera coriaceae, Myrcia bella, Ouratea spectabilis, Plathymenia reticulata, Pouteria torta, (Euphorbiaceae) sp1 e Tapirira guianensis. Isto sugere que estas espécies provavelmente estão sofrendo efeito de borda no local.

As 28 espécies restantes foram observadas tanto em áreas de borda com no interior do fragmento estudado.

No fragmento estudado, foi encontrado um grande número de árvores mortas, perfazendo 9,44% do total amostrado em campo. A relação borda/interior para os indivíduos mortos apresentou um decréscimo de indivíduos no interior do fragmento em relação a borda. O baixo DAP médio dos indivíduos mortos em pé (5,98 cm), mostram que essas árvores morreram após o isolamento da área.

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DIRETRIZES DE MANEJO PARA RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FRAGMENTOS DE CERRADO

Dentre as diretrizes de manejo para conservação de fragmentos de Cerrado, foram adotadas as seguintes abordagens, em uma escala macro, sugeridas por PIRES (1995) para a classe de fragmentos de média vulnerabilidade ecológica, a qual pertence a Área de Estudo:

Em uma escala menor, baseado neste estudo e nas investigações dos impactos antrópicos no local, sugere-se as seguintes abordagens de manejo para a Área de Estudo: Retorna ao início
 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARSON, H.L. Response to selection under different conditions of recombination of Drosophila. Cold Spring Harbor Symp. Quant. Biol., v. 23, p. 291 - 306, 1958.

FORMAN, R.T.T., GODRON, M. Landscape ecology. USA : John Wiley & Sons, Inc., 1986.

LAURENCE, W.F. Predicting the impacts of edge effects in fragmentes habitas. Biological Conservation v. 55, p. 77-92, 1991.

LOVEJOY, T.E. et al. Edge and others effects of isolation on Amazon Forest fragments. In: SOULÉ, M.E. (Ed.) Conservation biology: the science of scarcity and diversity. Sunderlands, MA : Sinauer Associates, 1986.

ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1983.

PIRES, J.S.R. Análise ambiental voltada ao planejamento a gerenciamento do ambiente rural: abordagem metodológica aplicada ao Município de Luiz Antônio - SP. São Carlos : UFSCar, 1995. 192 p. Tese (Doutorado em Ecologia) - PPG-ERN.

TALAMONI, S.A. Ecologia de uma comunidade de pequenos mamíferos da Estação Ecológica de Jataí, município de Luiz Antônio, SP. São Carlos : UFSCar, 1996. Tese (Doutorado em Ecologia) - PPG-ERN.

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A citação bibliográfica para qualquer dado disponível neste documento é:

TOPPA, R.H. Análise ambiental de um fragmento de cerradão como subsídio para conservação da biodiversidade. São Carlos. UFSCar, Dissertação de mestrado. 1999.

Colaboração: TOPPA, R.H.



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